Marcelo Teixeira aceita deixar o comando. Se voltar em dois anos...  escrito em terça 03 novembro 2009 22:37

JT

Marcelo Teixeira está em uma encruzilhada. Pela primeira vez desde que assumiu a presidência do Santos, em janeiro de 2000, o cartola aceita deixar o cargo. Mas apenas na condição de voltar dois anos depois para ser o comandante do clube nas comemorações do centenário do Peixe, em 2012.

O plano original bolado por ele e seu grupo era colocar algum aliado na presidência pelos próximos dois anos, continuar mandando na diretoria e candidatar-se novamente ao principal cargo do clube em dezembro de 2011. Mas nem bem foi colocada em prática, a ideia começou a fazer água.

O motivo principal é que não há nenhum nome que agregue toda a complexa malha de aliados de Teixeira. Além disso, o presidente precisava colocar em seu lugar um “cão de guarda”, alguém que lhe fosse cegamente leal, por causa da situação financeira do Santos. A única pessoa que se encaixa nessa descrição é Norberto Moreira da Silva, atual vice-presidente e diretor da faculdade de Direito da Universidade Santa Cecília, da família Teixeira. Mas ele está longe de ser uma unanimidade.

Pressionado, Teixeira topou se candidatar mais uma vez, mesmo se sentindo realmente desgastado. Ele esperava que a conquista da Copa Libertadores feminina, com Marta e cia., aumentasse sua popularidade entre os torcedores. Mas, na entrega do troféu, ele foi vaiado pela maioria dos santistas que estavam na Vila Belmiro. A aposta continua sendo o futebol das mulheres, tanto que a realização do Mundial da categoria na Baixada foi divulgada pela assessoria de imprensa do clube como uma realização da chapa da situação, não do Santos.

Além da falta de um bom candidato para substituí-lo, Teixeira também enfrenta a resistência de sua família. Em reunião recente na chancelaria da universidade, sua esposa, Valéria Teixeira, deixou claro seu descontentamento com a permanência do marido na presidência e fez ameaças. Foi ela também quem disse desaforos ao presidente do Conselho Deliberativo, José da Costa Teixeira, que viajou em plena campanha eleitoral.

Semana de decisão

A coordenação da chapa está preocupada com a baixa mobilização dos aliados. Na primeira reunião, foi divulgado o comparecimento de 350 sócios. Mas pouco mais de 100 estiveram presentes. Teixeira viajou para a Suíça na semana passada e, no retorno, deverá anunciar oficialmente se será candidato. Tudo indica que sim, até porque não há outra saída.

Como a oposição anunciou que, em caso de vitória, vai contar com fundo de investimento formado por banqueiros como Álvaro de Souza (ex-Citibank), José Berenguer (Santander) e Alex Zornig (ex-Itaú e Safra), Teixeira buscou seus próprios investidores. João Dória Júnior reuniu alguns, mas a negociação com o presidente santista foi tão difícil que ainda não houve acordo. Dória ameaça abandonar o barco e ir para a oposição. Já deu até R$ 5 mil para a campanha de Luis Álvaro Ribeiro para a presidência do clube.

Mas o que atrapalha mesmo os planos da situação de continuar no poder é a medíocre campanha do Peixe no Campeonato Brasileiro. Pelo segundo ano consecutivo, a equipe fica longe da zona da Libertadores. E isso pode fazer da eleição do próximo mês a mais difícil que Teixeira já enfrentou.



2012
é o ano do centenário
do Santos. E Marcelo Teixeira não abre mão de estar à frente do clube nas comemorações. Para isso, até aceita deixar o cargo de presidente agora.

Os dois lados

Situação

Ainda não escolheu o candidato, mas a chapa, como nos pleitos anteriores, se chama Rumo Certo.

Marcelo Teixeira viajou na semana passada para a Suíça e vai decidir a candidatura no retorno.

A indecisão serve também para evitar uma campanha longa e desgastante. A fórmula deu certo nas votações anteriores.

Mas nas três eleições passadas (2003, 2005 e 2007) o Santos vivia período de conquistas de títulos. Se o atual presidente surpreender e decidir deixar o cargo, a situação terá de tirar uma alternativa da cartola.

José da Costa Teixeira, presidente do Conselho, foi cogitado, mas encontra resistência dentro do grupo da situação.

O mesmo se aplica ao atual vice, Norberto Moreira da Silva.

Oposição

Lançou como candidato Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, diretor de empresa de consultoria. Ele também foi candidato pela oposição em 2003 e derrotado pelo próprio Marcelo Teixeira. Na ocasião, teve 40% dos votos.

Faz parte da Associação Resgate Santista, movimento oposicionista que enfrenta nas urnas (e perde) o atual presidente desde dezembro de 2001.

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