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Marcelo Teixeira está em uma encruzilhada.
Pela primeira vez desde que assumiu a presidência do Santos, em
janeiro de 2000, o cartola aceita deixar o cargo. Mas apenas na
condição de voltar dois anos depois para ser o comandante do clube
nas comemorações do centenário do Peixe, em 2012.
O plano original bolado por ele e seu grupo era colocar algum
aliado na presidência pelos próximos dois anos, continuar mandando
na diretoria e candidatar-se novamente ao principal cargo do clube
em dezembro de 2011. Mas nem bem foi colocada em prática, a ideia
começou a fazer água.
O motivo principal é que não há nenhum nome que agregue toda a
complexa malha de aliados de Teixeira. Além disso, o presidente
precisava colocar em seu lugar um “cão de guarda”,
alguém que lhe fosse cegamente leal, por causa da situação
financeira do Santos. A única pessoa que se encaixa nessa descrição
é Norberto Moreira da Silva, atual vice-presidente e diretor da
faculdade de Direito da Universidade Santa Cecília, da família
Teixeira. Mas ele está longe de ser uma unanimidade.
Pressionado, Teixeira topou se candidatar mais uma vez, mesmo se
sentindo realmente desgastado. Ele esperava que a conquista da Copa
Libertadores feminina, com Marta e cia., aumentasse sua
popularidade entre os torcedores. Mas, na entrega do troféu, ele
foi vaiado pela maioria dos santistas que estavam na Vila Belmiro.
A aposta continua sendo o futebol das mulheres, tanto que a
realização do Mundial da categoria na Baixada foi divulgada pela
assessoria de imprensa do clube como uma realização da chapa da
situação, não do Santos.
Além da falta de um bom candidato para substituí-lo, Teixeira
também enfrenta a resistência de sua família. Em reunião recente na
chancelaria da universidade, sua esposa, Valéria Teixeira, deixou
claro seu descontentamento com a permanência do marido na
presidência e fez ameaças. Foi ela também quem disse desaforos ao
presidente do Conselho Deliberativo, José da Costa Teixeira, que
viajou em plena campanha eleitoral.
Semana de decisão
A coordenação da chapa está preocupada com a baixa mobilização dos
aliados. Na primeira reunião, foi divulgado o comparecimento de 350
sócios. Mas pouco mais de 100 estiveram presentes. Teixeira viajou
para a Suíça na semana passada e, no retorno, deverá anunciar
oficialmente se será candidato. Tudo indica que sim, até porque não
há outra saída.
Como a oposição anunciou que, em caso de vitória, vai contar com
fundo de investimento formado por banqueiros como Álvaro de Souza
(ex-Citibank), José Berenguer (Santander) e Alex Zornig (ex-Itaú e
Safra), Teixeira buscou seus próprios investidores. João Dória
Júnior reuniu alguns, mas a negociação com o presidente santista
foi tão difícil que ainda não houve acordo. Dória ameaça abandonar
o barco e ir para a oposição. Já deu até R$ 5 mil para a campanha
de Luis Álvaro Ribeiro para a presidência do clube.
Mas o que atrapalha mesmo os planos da situação de continuar no
poder é a medíocre campanha do Peixe no Campeonato Brasileiro. Pelo
segundo ano consecutivo, a equipe fica longe da zona da
Libertadores. E isso pode fazer da eleição do próximo mês a mais
difícil que Teixeira já enfrentou.
2012
é o ano do centenário do Santos. E Marcelo Teixeira não
abre mão de estar à frente do clube nas comemorações. Para isso,
até aceita deixar o cargo de presidente agora.
Os dois lados
Situação
Ainda não escolheu o candidato, mas a chapa,
como nos pleitos anteriores, se chama Rumo Certo.
Marcelo Teixeira viajou na semana passada para a Suíça e vai decidir a candidatura no retorno.
A indecisão serve também para evitar uma campanha longa e desgastante. A fórmula deu certo nas votações anteriores.
Mas nas três eleições passadas (2003, 2005 e 2007) o Santos vivia período de conquistas de títulos. Se o atual presidente surpreender e decidir deixar o cargo, a situação terá de tirar uma alternativa da cartola.
José da Costa Teixeira, presidente do
Conselho, foi cogitado, mas encontra resistência dentro do grupo da
situação.
O mesmo se aplica ao atual vice, Norberto Moreira da Silva.
Oposição
Lançou como candidato Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, diretor de
empresa de consultoria. Ele também foi candidato pela oposição em
2003 e derrotado pelo próprio Marcelo Teixeira. Na ocasião, teve
40% dos votos.
Faz parte da Associação Resgate Santista, movimento oposicionista
que enfrenta nas urnas (e perde) o atual presidente desde dezembro
de 2001.
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